Eu não me vejo mais no espelho.
Estou irreconhecível.
Não são as novas marcas de expressão ou os cabelos brancos surgindo.
Não é o olho ficando caído...
Nem as bolsas abaixo deles, ficando mais marcadas.
Também não são os quilos acumulados.
Tão pouco os poros abertos ou o cabelo desidratado.
É o peso das lágrimas que caem todos os dias.
A falta de esperança, de fé. É o não acreditar ou o acreditar desacreditando.
É o pensamento que não pára, as horas que não durmo, os dias que não vivo.
São os segundos que passo pensando em incontáveis coisas.
São os milésimos que não consigo processar.
Eu quero a vida que não tenho.
Não me conformo como cheguei aqui, ou às vezes, porque durei até aqui.
Eu quero a história que não me cabe.
Eu desaprendi a escrever meu caminho.
Quero o corpo que não tenho.
A voz que não me pertence.
A força que minou e não voltou.
Quero.
Tento, tento de novo.
Outra vez, mais uma vez, outra vez...
Tento, tento, tento, tento.
É impossível, improvável, absurdo, surreal e impalpável.
Não entendo como ainda não desisti.
Novamente repito, que não sei porque durei até aqui.
Sinto saudades.
Aquela garota corajosa...
Partiu!
Ela não mora mais aqui.
Ela não mora mais em mim.
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